
Desde Setembro que comecei uma nova experiência.
Sempre adorei futebol, há quem diga que sou uma croma da bola, pois apesar de ser uma rapariga sei alguma coisa sobre o assunto.
Há uns anos, desde que começou a praticar-se futsal no Milharado comecei a dar mais atenção à modalidade, fui acompanhando sempre os jogos e por vezes treinos de todos os escalões. Tentei formar uma equipa de Futsal feminino, mas durou pouco tempo.
Mas há 3 anos, algumas raparigas juntaram-se e pensaram formar uma equipa a sério, que pudesse competir. Inicialmente não quis participar, estava demasiado focada na minha outra paixão desportiva, só queria progredir no Karaté e não tinha tempo para tudo.
Mas tanto insistiram, que decidi começar a treinar, de inicio sentia-me mal, conhecia algumas colegas mas só de vista, não falava com algumas, tinha má impressão de outras. Com o tempo, fui ficando cada vez mais entusiasmada, e apliquei-me sério, fiz amigas, amigas que nunca pensei fazer, pessoas que me surpreenderam pela positiva.
Os resultados não eram os melhores, mas só o facto de ir ao treino e estar com o pessoal era um factor de motivação para mim.
Nem o facto de passar de titular a suplente me desmotivou, pois tinha plena noção de que a minha colega poderia fazer melhor do que eu, e o que mais queria era o bem da equipa.
No 2º ano apliquei-me ainda mais, deixei o karaté, pois fui me desmotivando, sem duvida que é um desporto que me faz vibrar, e onde conheci pessoas que não mais esquecerei, nem aquele Sr. de bigode que um dia partiu de entre nós.
Mas em Novembro aconteceu o pior, lesionei-me no joelho, uma lesão que me impediu de jogar o resto da época, tive de deixar de ir a treinos e jogos, era doloroso de mais, ve-las lá a fazer o que eu tanto gostava.
Só no final da época consegui ultrapassar isto, e voltar a apoiar fortemente a equipa. Jogar regularmente estava completamente posto de parte.
Surgiu então um convite, que de início pensei recusar, achava não ter condições para tal, pois foi-me proposto ser a nova treinadora da equipa, uma vez que o treinador teria de se afastar um pouco, não poderia estar tão presente como até ali.
Durante o tempo de férias fui pensando e fui sendo pressionada por amigos e familiares a aceitar, pois era uma coisa que realmente eu gostaria de fazer.
Heis que surge um novo problema, era obrigatório ter curso de treinador para poder orientar a equipa. Vários foram os esforços para que se consegui-se meios financeiros para eu tirar o curso, uma vez que não conseguimos a ideia de federar a equipa foi ficando afastada.
Mas um dia surgiu uma ideia, convidar um amigo de longa data para tirar o curso e ficar como treinador. ele ficou indeciso, pensou durante uns tempos e acabou por aceitar. Fiquei então mais ligada a aspectos de papelada e a treinar as guarda-redes, está a ser uma experiência interessante, mas não tão fácil como parecia.
Uma vez que vivo isto com toda a intensidade, é um pouco complicado chegar aos treinos e ter poucas jogadoras, chegar aos jogos e perder por muitos golos, sabendo que temos capacidade para fazer melhor.
Constatei também que lidar com uma equipa de mulheres não é tão fácil como uma equipa de homens, pois é mais difícil agradar.
Já muitas vezes estive para abandonar o barco, mas sou teimosa e tenho tido o apoio de muita gente para não fazer.
Em casa dizem que já passo mais tempo na sede do que lá, mas é assim, faço tudo o que posso pela minha equipa e pelo meu clube, lá sinto-me bem, esqueço o mundo e os problemas.
Apesar de tudo está a ser positivo, tenho de lidar com situações que nunca pensei ter perante mim.
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